O irreverente e inigualável Raul Seixas, considerado por muitos como o "Pai do Rock Brasileiro", completaria 80 anos neste sábado (28) e, para além da saudade sentida por fãs, amigos e familiares, o ídolo também deixou um legado artístico que marcou – e segue marcando – gerações. Para citar apenas alguns de seus maiores sucessos: “Metamorfose Ambulante”, “Sociedade Alternativa” e a clássica “Maluco Beleza”, lançada em 1977 e eternizada nas rádios, nos palcos e na memória coletiva do país.
Embora o apelido “maluco beleza” tenha se fundido à imagem do próprio Raul com o passar dos anos, existe um personagem por trás da criação dessa música que merece igual reconhecimento: Cláudio Roberto. Parceiro de longa data do artista baiano, Cláudio foi mais do que coautor de canções. ele foi uma espécie de espelho da liberdade e da excentricidade que Raul tanto pregava em sua obra.
Na série biográfica “Raul Seixas: Eu Sou”, já disponível no Globoplay, a relação entre Raul e Cláudio ganha contornos mais humanos e reveladores. Interpretado por João Vitor Silva, Cláudio Roberto surge como uma figura chave para entender não apenas a música “Maluco Beleza”, mas também as camadas da própria personalidade de Raul.
Durante coletiva de imprensa da qual o Purepeople Brasil participou, o ator contou como foi o processo de mergulhar na trajetória do compositor. “Conhecer essa figuraça do Cláudio Roberto foi incrível! Um cara que fala alto, um maluco beleza de verdade. Acho que a composição dos dois é até um pouco sobre o Cláudio. Muito fala-se sobre o Raul, essa figura autêntica, mas essas pessoas muito fora da casinha não se conectam com pessoas tão normais assim. Foi muito interessante aprender isso com o roteiro, ele era um cara muito agregador. Figura que eu não conhecia", expressou João.
Com melodia inspirada na romântica “Aline”, do cantor francês Christophe, a canção "Maluco Beleza" nasceu a partir da convivência entre dois amigos que compartilhavam uma visão de mundo fora dos padrões. A letra fala sobre uma pessoa que valoriza sua autonomia acima de tudo, e que por isso é vista como “maluca”.
Mas o verdadeiro “maluco beleza” da história, curiosamente, era Cláudio Roberto, que vivia recluso na cidade de Miguel Pereira (RJ), desafiando convenções sociais com seu estilo de vida excêntrico e quase eremita.
Durante a produção do álbum "O Dia em que a Terra Parou", Raul e Cláudio criaram juntos não só essa, mas todas as 10 faixas do disco, algo inédito entre os parceiros de Raul. A música teve grande repercussão: foi amplamente executada nas rádios, levou Raul ao programa Globo de Ouro e até ao Fantástico, com direito a videoclipe.
A história de Raul e Cláudio começou cedo. Eles se conheceram em 1963, quando Raul tinha 18 anos e Cláudio apenas 11, através de uma prima em comum. A admiração mútua, mesmo com a diferença de idade, logo virou parceria musical. Ao longo da carreira, Cláudio coassinou diversos clássicos, como "Aluga-se", "Rock das Aranha" e "Cowboy Fora da Lei".
No total, participou de oito discos de Raul Seixas como compositor. Foi o único parceiro com quem Raul gravou um álbum inteiro. Fora dos palcos, Cláudio também teve uma trajetória singular: largou o curso de Educação Física na UFRJ a um semestre da formatura, foi professor, jornalista, vendedor de mocassins e até taxista. Tudo isso até decidir se isolar de vez em Miguel Pereira, onde viveu longe dos holofotes até falecer, em 2022.
Paulo Morelli, um dos diretores da produção do Globoplay, admitiu ter "inventado" cenas importantíssimas envolvendo o processo de composição de Raul com amigos íntimos como Cláudio e Paulo Coelho. Também na coletiva, ele destacou que esses momentos em específico não poderiam faltar na série, mesmo que ninguém tenha visto pessoalmente essa produção acontecendo. "Foi muito prazeroso... tem todo um rigor musical, mas também uma suposiçaõ de como poderia ser uma composição entre dois parceiros trocando ideia, mudando palavras e achando a música", disse.
"São cenas que ninguém nunca viu, então são algumas das coisas que mais me dão satisfação. Em diversas vezes, existe a composição acontecendo em cena, que ninguém sabe como, de fato, aconteceu, e nos divertidos em inventar", concluiu.
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